“Não, não, a Morte não é algo que nos espera no fim. É companheira silenciosa que fala com voz branda, sem querer nos aterrorizar, dizendo sempre a verdade e nos convidando à sabedoria de viver. O que ela diz? Coisas assim: (…) ‘O que é que você está esperando? Como se a vida ainda não tivesse começado… Como se você estivesse à espera de algum evento que vai marcar o início real da sua vida: formar-se, casar, criar os filhos, separar-se da mulher ou do marido, descobrir o verdadeiro amor, ficar rico, aposentar-se… Como se os seus instantes presentes fossem provisórios, preparatórios. Mas eles são a única coisa que existe.’
‘E esta música, que você está dançando, é de sua autoria? Ou é outro que toca, e você dança? Quem é esse outro? Lembre-se do que disse o poeta: “Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”. Mas, se você é isso – o intervalo -, você já morreu… Acorde! Ressuscite!’
A branda fala da morte não nos aterroriza por nos falar da morte. Ela nos aterroriza por nos falar da vida. Na verdade, a morte nunca fala sobre si mesma. Ela sempre nos fala sobre aquilo que estamos fazendo com a própria vida, as perdas, os sonhos que não sonhamos, os riscos que não tomamos (por medo), os suicídios lentos que perpetramos.
(…) Acho que, para recuperar um pouco da sabedoria de viver, seria preciso que nos tornássemos discípulos e não inimigos da morte. Mas, para isso, seria preciso abrir espaços em nossas vidas para ouvir a sua voz”.
(Rubem Alves – A morte como conselheira)

 

Educadora Gabrielle Duarte

Núcleo de Birigui-SP

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