logo_pts_600x600Pai e mãe são como se fosse algo junto, misturado, um sentimento belo, puro, divino, sagrado.

É como se ninguém tirasse da gente, nem mesmo a morte. Como se fosse uma coisa só “pai-mãe-filhos”.

Como se eles fossem meu tudo, quem me desse tudo, que resolvessem tudo para mim, que me livrassem de tudo o que fosse ruim e que me protegessem sempre.

Quando nasci, meu pai tinha 39 anos e minha mãe 27; moravam junto conosco meus avós paternos. Todos me chamavam de Fia ou Fiinha, fui muito mimada,  mas também apanhava de vara quando fazia birra.

Como todo ser humano, prevaleceu a lente conceitual imposta na primeira e segunda infâncias: calar a boca, – você não pode falar nada. Olhar e não ver, – você não viu nada. E também  não ouviu nada. E coma, que está bom assim. Não ponha a mão aí (um tapa na mão ou  uma chinelada na bunda), entendeu? Você não pode pôr a mão em nada.

Já na puberdade e adolescência, ouvia também: o anjo da guarda vê tudo, muito cuidado com o que você faz. Cuidado com o que você pensa, Deus e os mensageiros veem o seu pensamento.

Nesses períodos, os vários bebês que vi chegar, era o avião ou a cegonha que deixou na janela.

Bem! Onde está essa zona proibida, que o próprio nome ou palavra zona já me faz lembrar de zona do meretrício? Não sabia o que era, hoje sei que é prostituição.

Homem e mulher: já penso em pênis e vagina, como se já fossem atrelados um ao outro no desejo sexual. Meus pais, na busca do prazer, praticando relação sexual, deram forma a este corpo que me trouxe até aqui. Desde que nasci, até aos 15 anos, dormi no mesmo quarto que meus pais e meus irmãos. Foram muitas vezes que ouvi barulho, ficava com medo e perguntava: que barulho é esse? E minha mãe respondia: dorme menina, são os cachorros rolando lá fora. (o colchão era de palha).

Apesar de ter negado por muito tempo, hoje reconheço a origem daqueles barulhos, posso dizer que naquele momento eles deixavam de ser meus pais para serem homem e mulher, atravessando a zona proibida do desejo sexual, praticando relação sexual.

 

Autodescrição de Clarice Custódio Gonçalves.


Contos e Autoencontros

A não compreensão e entendimento do mundo interior levam-nos à busca de efetivar meios de auto-observação, para que fiquem visíveis atitudes e sentimentos que nos movimentam. Um dos meios para observarmos nossas movimentações é a descrição do nosso percurso como educador de essencialidades. O texto publicado anteriormente é uma autodescrição resultante de um projeto elaborado pelos Educadores de Essencialidades do Núcleo de Aprendizagem de Birigui, do Sistema Tempo de Ser, dentro da atividade do grupo vespertino de Prática de Inteligência Mediúnica. O projeto tem como proposta a exposição ao meio social das repercussões dos estímulos de autoaprendizagem aos educadores de essencialidades nos ambientes do Sistema Tempo de Ser. Durante sua execução, tem sido considerado que o “autoencontro” pode ocorrer a partir da auto-observação e autodescrição dos “Contos” (história imaginada) que permeiam a existência humana.

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