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Identidade (Identity): Suspense, EUA, 2003, direção James Mangold, 87 minutos. (Foto: Divulgação Internet)

“Uma violenta tempestade faz com que um grupo de pessoas busque abrigo em um motel desolado, nos Estados Unidos, gerenciado por um jovem bastante nervoso. Entre eles estão um motorista, uma estrela da tevê, um casal recém-casado, uma família em crise e um policial encarregado de escoltar um assassino. “Este é o cenário que inicia e envolve toda a narrativa do filme Identidade, baseado no romance policial de Agatha Christie, Ten Little Niggers.

Para tanto, o EducArte apresenta esta estimulante película à Comunidade, para que adentre e desvende esta intrincada trama psicológica, a partir das considerações do personagem principal do filme, realizadas pelas  educadoras e psicólogas Cláudia Carvalho e Cláudia Zacarias, através do olhar metodológico do Sistema Tempo de Ser. Vale conferir e também assistir ao consagrado suspense.

 

A criança psicológica não se mostra por ela mesma

O filme Identidade narra a história do personagem Malcolm Rivers, um assassino condenado à cadeira elétrica por um massacre nas montanhas. Seu psiquiatra tenta provar que ele sofre de Transtorno Dissociativo, apresentando dez personalidades distintas, cada uma com características e uma história próprias, pensamentos, sentimentos e emoções diversas, ou seja, identidades diferentes.

O psiquiatra postula que ele sofreu um trauma intenso aos seis anos de idade, ao ser abandonado pela mãe, uma prostituta, em um motel. A partir daí a mente infantil sofreu uma subdivisão, acarretando a Síndrome da Personalidade Múltipla.

O tratamento médico proposto é reduzir as várias identidades de tal forma que somente uma prevaleça. Através de um confronto de forças, entre as várias identidades apresentadas, o psiquiatra espera encontrar aquela que libera a fúria e é capaz de matar, para que ela seja dominada (integrada) por outra força.

No contexto, é possível observar a realidade interna do personagem e perceber que não há conexão entre ela e o mundo externo, bem como atentar para as referências que compõem seu Sistema de Autoimagem e que se movimentam numa dança arquetípica que se alterna  promovendo significativa turbação mental.

O filme Identidade nos remete ao ambiente infantil traumático, palco dos conflitos do personagem principal. Em meio à escuridão profunda e à chuva intensa – alusão ao próprio inconsciente – assistimos a uma dinâmica de forças inconscientes a operarem-se e a retratarem, fielmente, o ambiente psíquico daquele indivíduo.

 

Podemos, através deste brilhante enredo, entender que a criança psicológica, como arquétipo central, utiliza-se da força traumática para mobilizar e fazer movimentar seu conjunto virtual de forças arquetípicas. Através de cada arquétipo foi possível identificar os rastros da criança psicológica, mas, para chegar até ela, foi preciso desidentificar cada uma das forças da estrutura arquetípica, que nada mais são que seus esconderijos psíquicos.

A criança psicológica não se mostra por ela mesma. É preciso atravessar toda a estrutura de referência constituída, ou melhor dizendo, transpor o Sistema de Autoimagem, para tocar a força arquetípica central. Podemos dizer que a criança é o arquétipo que a psique incorpora, então é o ultimo que ela vê.

Assista e discuta o filme Identidade, pois ele traz bons argumentos e estímulos para o estudo da força traumática e do Sistema de Autoimagem, assim como nos convida a refletir sobre o fato de que todo indivíduo vive e se movimenta tendo por base a sua realidade interna. E nada mais!

 

Cláudia Carvalho (NA-BRU) e Cláudia Zacarias (NA-SJC)

 

Este conteúdo foi publicado no Informativo, edição 128, de junho de 2015

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