Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber

E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer…*

TrofeuA movimentação humana, seja ela no âmbito da sobrevivência fisiológica ou emocional, dá-se ou ocorre no binômio: ‘interesse’ objetivado e a correspondente ‘recompensa’. Assim, interesse e recompensa andam lado a lado. Mas, afinal, que é a recompensa? E o interesse?

Recompensar, segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, entre outras significações, que dizer: ato ou efeito de recompensar (-se); retribuição; prêmio; aquilo que se concede ou obtém como reparação ou compensação…; restituição; indenização. Interesse, por sua vez, significa: vantagem pessoal; o que é importante, útil ou vantajoso, moral, social ou materialmente; importância dada a algo; apego que beneficia a si mesmo.

ACO cérebro humano trabalha com base na e pela “lei de sobrevivência” em consonância com a “lei de recompensa”. Alguém já disse que o autoconhecimento é uma necessidade educacional para que uma espécie, no caso, a humana – síntese de todos os reinos anteriores – mineral, vegetal, animal, cumpra sua finalidade. Mas em face da afirmação citada, fica um questionamento: Qual a recompensa que se terá em fazer, por exemplo, o autoconhecimento, se o cérebro é regido pela “lei de recompensa” no desempenho da “lei de sobrevivência”?

Haverá nesta hipótese de fazer autoconhecimento algum tipo de recompensa? Qual? Nos quadros de dores cruéis, qual é a recompensa? Em todo investimento efetuado em si mesmo, qual é a recompensa almejada? E como conceber quando essa recompensa não pode ser mensurada ou ocorre na inconsciência do ser? Todo movimento humano está pautado por interesse correlacionado a recompensa? Será a recompensa o suprimento de uma necessidade identificada pelo ser humano? Interesse, recompensa e necessidade estão na base da movimentação humana?

DesafioEssa é a faceta mais aguda do mecanismo sobrevivente que, muitas vezes, transmuta submissão em desafios, necessidades diárias em buscas sociais ou de qualquer outra natureza. Ou seja, em interesses múltiplos e de toda ordem que visem a suprir suas necessidades físicas ou emocionais. Esse sobrevivente quer ser desafiado e tem interesse em vencer todos os desafios propostos, o que lhe dará grande prazer como recompensa. E até mesmo quando não consegue, aparentemente, tal objetivo, ainda assim estará presente aí algum tipo de recompensa, mesmo que essa se apresente de forma inconsciente, o que normalmente ocorre.

As chamadas áreas de recompensa estão aniquilando emocionalmente o homem moderno. Tanto isso é certo que hoje – apenas para ilustrar essa constatação – na recompensa derivada, por exemplo, do ato sexual, que é o prazer entre os envolvidos, muitas vezes deixa de existir ou consolidar-se em razão de se sentir preguiça ou considerar muito trabalhoso até mesmo pensar e, mais ainda, desenvolver o percurso da sedução entre os parceiros até a consumação do ato almejado.

BuscaA ânsia pela sobrevivência é a mesma ânsia da psique na busca por si mesma. O ser humano move-se num processo contínuo de buscas, sejam elas em que âmbito for. O homem é, naturalmente, um contínuo buscador. No entanto, se ainda há informações a serem coletadas, haverá buscas, mas se todas as informações sensoriais já estão reunidas, em si, haverá a ausência de busca, o desânimo, a apatia, a saturação, significando que, muito provavelmente, o usuário (ser humano) não está utilizando adequadamente seu potencial psíquico ou o mecanismo sobrevivente que ele, inconscientemente, construiu.

O sistema de recompensa está em pleno funcionamento. A área emocional está matando o homem moderno. Assim, para que o sistema de recompensa vigente se torne obsoleto terá que ser suplantado por outro. E como fazer isso sem a construção de um novo sistema que substitua o anterior? E para quê? Com que objetivo ou finalidade? Até quando? Para chegar aonde?

O ambiente psíquico é interno, o da sobrevivência é externo ou exterior. A lógica diz e deixa claro que, hoje, a sobrevivência é um automatismo, dá-se mecanicamente. Entretanto, a espécie humana já não está mais servindo ao seu papel, pois é hora de fazer a junção ou conexão do externo com o interno, o que ainda não está ocorrendo. Não há mais como distribuir humanidade. E agora, “José”? Para onde ir? Para si mesmo? Até quando se movimentar com base no padrão humano apresentado e sorver as consequências amargas daí advindas? O autoconhecimento é uma necessidade educacional para que a espécie humana possa cumprir com sua finalidade? Eis o desafio!

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Conheça a proposta do Sistema Tempo de Ser como um “empreendimento que promove estudos e pesquisas acerca dos fenômenos psíquicos e seu impacto no comportamento e nas relações humanas”.

Equipe de Comunicação do Sistema Tempo de Ser

 

Fonte de Pesquisa: Portal do Sistema Tempo de Ser – http://tempodeser.org.br/
* Trecho da Música Admirável Gado Novo, composição de Zé Ramalho

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