Artigo1O sobrenatural sempre esteve, para o ser humano, no limiar entre o mistério e o conhecimento.

O que é real? O que é sobrenatural? Sendo que este último sempre se apresenta revestido de conceitos e crenças que permearam e permeiam a humanidade.

O que nos chama a atenção é que o conhecimento, seja ele superficial ou profundo, catedrático ou geral, jamais apartou o ser humano de suas crenças e conceitos arcaicos, inclusive os próprios catedráticos e ou intelectuais.

Em nossas buscas por respostas sobre a vida e a realidade que se constituem todos os dias, desiludimo-nos com a educação, como oportunidade de poucos, considerada aqui como a educação escolar/profissional, por não correlacionarem ciência, sobrenatural, pedagogia e educação.

A proposta do “Tempo de Ser” de estudar, compreender o ser psíquico, mantém-nos ligados a estes assuntos, o sobrenatural e o desconhecido, apesar de nossos receios.

Quer dizer, existe ignorância sobre determinados efeitos observados na realidade, efeitos que as crenças e os conceitos vigentes não conseguem explicar, pois se é “sobrenatural” agora, em qualquer época em que a inteligência possa revelar as leis que fundamentam tal fenômeno, este poderá tornar-se (simplesmente) natural.

Após muitos anos de experimentos, observação, reflexões, conversa com amigos e desconhecidos, o resultado de todo o percurso realizado com aqueles que compartilham as mesmas inquietações intitula‐se “Sistema Tempo de Ser”, em que o sobrenatural, a ciência, a pedagogia, a busca por espiritualidade e a educação se conjugam.

Artigo2A observação minuciosa das obras de Allan Kardec demonstrou que ele dedicara muitos anos de sua vida à tentativa de explicar o sobrenatural que ocorria na intimidade de indivíduos, que ele intitulou como médiuns, e aos fenômenos resultantes de manifestações dos mesmos, a que ele chamou de “Mediunidade”.

Quando associamos os resultados de pesquisadores e estudiosos do comportamento humano da atualidade às perquirições e conclusões temporárias de Kardec, concluímos que ele foi um dos primeiros indivíduos a pisar no solo “psíquico”, visto como uma realidade manifesta no ser humano, sendo a “mediunidade” o único sentido psíquico a dar mostras da vida interna.

Na época, ele organizou em livros e em prática a doutrina intitulada Espiritismo, fez um esforço gigantesco para manter a doutrina criada fora do que se convencionou chamar de religião, infelizmente foi infrutífero, pois o ser humano, naquilo que suas crenças, conceitos ou ciência não explicam, simplesmente coloca o momentaneamente inexplicável em solo religioso, onde o “sobrenatural”, ou mistério, se tornam intocáveis, fronteiras intransponíveis.

Na sociedade atual, compete à Ciência a comprovação de leis ou aspectos naturais, que atestem ou não determinados fenômenos que, ao serem explicados, saem do terreno incerto do sobrenatural para o conhecimento, o entendimento e a compreensão dos seres humanos.

Foi assim que a vida – em humanidade – foi sendo organizada; cada fenômeno explicado em seu teor ofereceu melhores formas de adequação às leis que o regiam, produzindo organização social, prolongamento do existir e tecnologia compatível com o suprimento de necessidades oriundas do avanço alcançado naquele período, ou seja, os fenômenos são métodos para o desenvolvimento das inteligências e a educação oferece os estímulos para que as mesmas se adequem às leis reveladas.

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Consideramos, assim, que a origem dos fenômenos, ou sobrenatural, esteja assentada na intimidade dos indivíduos humanos como “potencial psíquico” a ser revelado e que o autoconhecimento, ou autoaprendizagem, seja o meio pelo qual a vida psíquica possa ser revelada em seu potencial de Inteligência Mediúnica. A inteligência capaz de desvendar a própria vida interior em si mesma, por si mesma.

Quando assistimos a um transe mediúnico, convencionalmente assim chamado, podemos observar que leis oriundas da intimidade do médium, no exercício de sua faculdade mediúnica, operam os fenômenos que têm início no indivíduo, desenvolvem-se e finalizam nele, quando recobra seu estado de consciência.

Portanto, o fenômeno a ser investigado é o médium, dentro e fora do exercício de sua mediunidade.

Como um fenômeno de ordem interna, com repercussões exteriores, estas investigações só poderão ser completamente observadas por aquele que pode vir a ter acesso à sua própria intimidade, ou seja, o “médium” ou o “aprendiz de si mesmo”.

Para que isto se dê, será necessária a criação de ambientes que estimulem a convivência, a auto‐observação, a descrição dos percursos identificados e das leis reveladas, para que o indivíduo possa criar seu projeto autoeducacional com base em sua intimidade humana constituída.

Atualmente, consideramos que a mediunidade aponta, insistentemente, para fenômenos oriundos do íntimo dos indivíduos que têm vivido pânicos internos sem nenhuma referência exterior, que apresentam um índice altíssimo de ansiedade sem que nada saia de sua rotina diária, que se sentem inadequados física, emocional e socialmente.

Indivíduos que não reconhecem valores próprios e apresentam enorme dificuldade de conviver e relacionar, pois se sentem inferiores à maioria, experimentando insatisfações internas com tudo, apesar de, aparentemente, nada lhes faltar.

Enfim, poderíamos passar uma lista infinita de fenômenos internos que, por mais que alguém externamente os explique, o que se sente internamente é a incompletude, que foi descrita por nós, outrora, como “Síndrome do Desconhecimento Interior”.

Os indivíduos, nestes quadros, estarão sempre com o “estado de consciência alterado”, ou seja, em transe, “incorporados” por fatores desconhecidos que fazem parte de sua formação.

Como se incorporam aspectos ou características desconhecidas que residem no próprio ser?

Como amenizar rumores internos que não se calam?

Como lidar com fenômenos e seus efeitos cujas leis regentes se desconhece?

Como lidar com os próprios mistérios quando estes deixam rastros fortes na mente consciente dando mostras de sua presença?

Como olhar para a fusão entre pedagogia e mediunidade, ampliando os horizontes através da ciência de si, transpondo fronteiras religiosas?

Artigo3Como educar-se para conviver e relacionar-se consigo além dos limites impostos? Só conhecemos uma resposta: “Conhece‐te a ti mesmo”.

Por todos estes argumentos, o “Sistema Tempo de Ser” se justifica-se.

Em seus ambientes ele integra o sentido psíquico – Inteligência Mediúnica – a uma pedagogia do “si mesmo”, estimulando o Educador de Essencialidades à gerência de sua própria vida, como nunca antes ocorrera.

Conjugue em si mediunidade e pedagogia e construa sua autoeducação.

 

Marlete Wildemberg e
Lucas da Costa
Conselho Deliberativo do Sistema Tempo de Ser

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