Autossensibilidade

Como desenvolver uma pessoa sensível? Tornando-se autossensível. E como é que se torna autossensível? Com o desenvolvimento da autossensibilidade através do interesse sensível por si mesmo e por sua própria história, a qual diz da base de sua formação, utilizando-se do sentido psíquico denominado mediunidade.  Autossensibilidade: admissão de que sou causa inconsciente de mim mesmo. (EAL)

"O Doador de Memórias", do premiado diretor Phillip Noyce.
“O Doador de Memórias”, do premiado diretor Phillip Noyce.

O EducArte deste mês sugere o enigmático suspense “O Doador de Memórias”, lançado em 2014, uma adaptação da série de quatro livros do escritor Lois Lowry, publicados em 1993. O filme narra a história de um mundo perfeito, no qual todos são “felizes”. Quando o personagem central da trama, Jonas  (Brenton Thwaites) faz 12 anos, é escolhido para ser o receptor de memórias da comunidade. Ele entra em treinamento com um velho homem, a quem chamam “o doador” (Jeff Bridges). Do doador, Jonas aprende sobre dor, tristeza, guerra e todas as verdades infelizes do mundo “real”, do mundo humano, percebendo rapidamente que a comunidade vive em falsidade.

Confrontado com a realidade, Jonas enfrenta escolhas difíceis sobre sua própria vida e seu futuro. Poder fazer a diferença é o pensamento de Jonas, diante de uma sociedade que foi construída para nunca duvidar dos poderes e leis que são aplicadas. E quando todos acreditam em um mesmo ponto de vista, é hora de mudar. E assim ele mostra que vale a pena lutar pelo que acredita e que cada indivíduo tem um papel importante a desenvolver na comunidade. É possível fazer diferença! A seguir, confira estímulos reflexivos que envolvem a temática do filme “O Doador de Memórias”, e o EducArte incentiva também a leitura do livro que, segundo críticos,  os dois se completam.

Reflexões para autossensibilidade

Apenas imagine uma comunidade constituída ou construída a partir das cinzas da ruína de todas as demais comunidades outrora existentes, mas protegida por fronteiras ou limites, onde todas as lembranças ou memórias do passado tenham sido apagadas.

Imagine uma nova sociedade (ou comunidade) onde houvesse a igualdade de verdades, mas estabelecidas com regras rígidas e pormenorizadas, como, por exemplo, usar linguagem precisa, nunca mentir, usar roupas designadas, obedecer ao toque de recolher, tomar medicação diária, entre outras ensinadas para todas as crianças desde seu nascimento. Um lugar onde a criança seria educada, desde tenra idade, para receber a designação de sua atribuição ou propósito nessa comunidade de acordo com a habilidade existente. Já uma pergunta para reflexão: Estaria essa sociedade isenta do padrão de comportamento chamado corrupção?

Imagine um lugar onde as diferenças não fossem permitidas, pois aí não existiria o “popular” nem a “fama”, “ganhadores ou perdedores”, pois não haveria “competição”. Um lugar onde os educadores, denominados de “anciões”,  que tudo sabiam e nunca erravam, eliminariam tudo isso, para que não houvesse conflitos entre seus habitantes. Assim, as manifestações da espécie, como o medo, a dor, a inveja, o ódio, não seriam nem palavras, mas quiçá sons cujos ecos seriam enviados para o outro lado da história, além dos limites de fronteira! Reflexão: Não seriam seus integrantes autômatos?

Imagine que na formatura de uma das turmas de infantes, uma determinada personagem, a principal da história imaginada, embora todos os demais parecessem cientes e conscientes das atribuições que receberiam logo em seguida, ainda estava cheia de dúvidas, sentido-se perdida e confusa. E isso porque tinha, em sua habilidade, a capacidade de ver coisas ou situações que os demais infantes não viam, embora não tenha dito isso a ninguém, pois não pretendia ser considerada como “diferente” das demais, pois, afinal, quem acreditaria nisso?

Imagine que essa comunidade tenha sido constituída com o objetivo de solucionar o problema do caos, da desordem, da grande dor e sofrimento, da confusão, da inveja, do ódio, antes existentes nas demais comunidades. Seria um lugar sereno, muito bonito, onde tudo isso se tornaria harmonia. Reflexão: Seria isso possível? Qual o método a ser seguido?

Imagine que entre todos os formandos daquele grupo de infantes, mais de uma centena, apenas um recebesse a atribuição de ser o “Recebedor de Memórias”. E por que essa atribuição? Porque seus habitantes não detinham a capacidade de lembrar-se de nenhuma de suas memórias anteriores, consequentemente, desprovidos de sentimentos e emoções mais primitivos, o que lhes retirava a possibilidade ou a capacidade de SENTIR, razão pela qual, ficticiamente, viam todos e tudo em preto e branco.

Imagine que o pupilo foi cumprindo todo o processo estabelecido, porém, sempre com muitos questionamentos ao seu educador, como, por exemplo: Por que os integrantes daquela comunidade não sabiam nada sobre si mesmos?  É fato que tudo estava conectado com tudo? O que há depois dos limites externos da memória? Por que esses limites ou fronteiras foram estabelecidos? Se ele atravessasse os limites de fronteira, isso significaria que as memórias de outrora seriam libertadas? As fronteiras ou limites das memórias teriam sido construídos para que não alcançassem os integrantes da comunidade? Há como dividir memórias? Isso tudo teria sido para uniformizar comportamentos? Entre tantas outras situações.

Imagine quanto esse treinamento, na medida em que as memórias iam sendo retransmitidas ao educando, pelo educador, foi prazeroso e doloroso, simultaneamente! Como lidar com as emoções advindas das memórias referentes, por exemplo, a guerras, à destruição de uma maneira geral, à morte, às advindas dos múltiplos momentos prazerosos, entre tantos outros mais.

Embora a proposta do filme “O Doador de Memórias” esteja classificada na linha de ficção científica, ele é muito interessante para a reflexão do processo de autossensibilização. A sensibilidade ou a autossensibilidade não ocorrerá magicamente, mas será construída, progressivamente, pela auto-observação. Ou seja, através do desenvolvimento da inteligência mediúnica (sentido psíquico). Somente cada indivíduo saberá o que precisará realizar, por si mesmo, para atingi-la.

No entanto, a autossensibilidade também pode ser notada e comparada às confluências de um trabalho de parto de si mesmo. E por quê? Porque o ser humano, sobretudo sem o verniz social, é animal, embora dito racional. E o que é conhecer a si mesmo? O que é ser “eu mesmo”? É confrontar com uma das maiores dores de todos os tempos: a dor do autoencontro. Ou seja, é quando, pela primeira vez, você se torna sensível a si mesmo, querendo saber o que se é, efetivamente. E a proposta está em que é possível ao ser desenvolver um sentido interno capaz de lhe trazer dados sobre si mesmo, e nisso constitui-se a autossensibilidade. A sensibilidade está assentada em sua capacidade de SENTIR. A ausência de autovalor ou de autoimportância é consequência da inconsciência psíquica.

 

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