Em janeiro deste ano, nasceu Valentina Tofano Oliveira Bersan, a segunda filha de Taciana Rodrigues Oliveira de Araújo,  educadora de essencialidades do Núcleo de Aprendizagem de São José dos Campos, desde 2011. Para ela, paciente oncológica desde 2008, foi e está sendo um momento exigente de sua vida, já que a gravidez de Valentina se mostrou complicada e de risco, resultando num parto prematuro,  e, em seguida, recebeu a notícia de que deveria iniciar um novo tratamento quimioterápico com o retorno da doença, estabilizada até 2014. Para sua continuidade no entendimento da vida e suas manifestações, Taciana  se dispôs a compartilhar as suas experiências íntimas desta etapa de sua vida com a comunidade Tempo de Ser.

TacianaA inconsciência do meu percurso até aqui, me trouxe inúmeros questionamentos com relação ao nascimento, saúde e morte. Minha filha Valentina nasceu no dia 15 de janeiro de 2016,  completando 32 semanas de gestação. Foi uma gestação extremamente exigente e não planejada, mas com muito sentimento de afeto e carinho. Embora tivesse informações de que seria arriscado de nódulos reaparecerem por causa da gravidez, levei a gestação a diante.

No inicio de janeiro de 2016, durante um exame de ultrassom foi detectado um nódulo no fígado. Isso fez com que meus médicos pedissem uma ressonância de emergência, e o diagnóstico resultou em  quatro nódulos malignos no fígado. No dia seguinte da ressonância, nasce a Valentina. Me vi com uma bebê de 32 semanas na UTI neonatal, possibilidade de reiniciar mais uma vez sessões de quimioterapia e probabilidade de mais uma cirurgia hepática. Me questiono: Qual o sentido e o significado disso tudo? Como posso ser aprendiz diante disso tudo? Como acessar minha inteligência durante esse processo? 

Valentina

Mesclam momentos de grande alegria por ter uma filha linda e saudável, embora estando na UTI para monitoramento e ganhar peso e mais resistência para a tal esperada sobrevivência humana. Meus sentimentos diante disso tudo? Muito medo, angústia e sofrimento. Compreendo que na teoria exista a relação entre dor e prazer, mas na prática pra mim, não consigo separar esses sentimentos. É uma simbiose!

ValentinaEstou sentindo uma espécie de anestesia em relação às emoções. O que predomina neste momento está sendo o grande arquétipo da mãe, da guerreira e da lutadora, acionando a bondosa e feliz Polyana, acreditando nas crenças e restabelecendo fé e apelando para meus caminhos ilusórios e imaginários, com a impressão de ganhar força e disposição neste momento. E para finalizar questiono: quem sou eu no meio disso tudo?!?!
 
Taciana Rodrigues Oliveira de Araújo
Núcleo de Aprendizagem de São José dos Campos

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