“Diz-se que as grandes realizações deste mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e só aí, que ocorrem os grandes erros do mundo.”

(Oscar Wild, in “O Retrato de Dorian Gray”)

 

O termo realidade, derivado do latim realitas, isto é, “coisa”, significa, em uso comum, “tudo o que existe”.

Em seu sentido mais livre, o termo inclui tudo o que é, seja ou não perceptível, acessível ou entendido pela filosofiaciência ou qualquer outro sistema de análise. [1]

Foto: pixabay.com
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Para os filósofos, o termo realidade se refere a uma circunstância externa à percepção humana e que é independente dela.

Segundo Lacan[2], o real seria definido como uma realidade fenomenal, impossível de ser simbolizada. Lacan avança, em seu pensamento, categorizando o real como algo próximo da noção de realidade e o imaginário se aproxima do simbólico.

Nesse sentido, para nós do Sistema Tempo de Ser, o imaginário seria o real corrompido pelo desejo, formação do sistema de autoimagem e estruturação da zona consciente.

Podemos classificar a realidade como subjetiva – imaginário; interna e objetiva – comum; e externa. Nossos estudos apontam que o homem possui duas realidades: cerebral, que é um retrato do Sistema de Autoimagem do indivíduo e coletiva, que é a soma de tudo que existe acrescido das crenças herdadas no processo progressivo da humanidade.

O real e o imaginário estão, de tal forma, entrelaçados em nossa estrutura psíquica que, ao homem, na interação com o meio, dificilmente é possível distinguir o real do imaginário, uma vez que captamos a realidade pelos cinco sentidos e a “filtramos” com nossas construções, ou seja, há sobreposição da realidade atual à realidade milenar e infantil.

Foto: pixabay.com
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A realidade, ainda que coletiva, é a apreensão que o sujeito faz de um real, utilizando o simbólico (estrutura arquetípica); então, num certo sentido, sua realidade é incomunicável, afinal nada mais é que sua própria fantasia.

Prova disso são as diversas interpretações de um mesmo fato, e isso é tão trivial que Freud dizia que “quando duas pessoas concordam sobre algo uma delas está mentindo”.[3]

De outra banda, e contrapondo-se a estes filtros individuais, restam as frustrações quando a realidade (aquilo que de fato existe) mostra situação diversa da idealizada, ou seja, ela não condiz com o imaginário.

Essa frustração no geral causa forte abalo emocional, desconexão, vazio, ausência de sentido.

Em debates sobre o assunto uma amiga pontuou fato singular, identificando, somente horas após sua vivência, a total desconexão com o ocorrido.

Narrou que em uma atividade do STS deixou de assinar a lista de presença e, ao questionar um gestor, este, em “tom de sarcasmo”, disse que ela havia perdido a oportunidade. O fato deixou-a, de tal forma, desestabilizada que ela o interpretou como inexistência de absorção do conteúdo, como se de fato ela não estivesse presente, como se ela fosse invisível, desconsiderada pelo meio.

As reações emocionais seguintes foram narradas por ela, como se ela fosse uma criança, emburrada, chorosa e, naquele momento, ela sentenciou: “vou me excluir do Sistema”.

Passados alguns dias foi possível à Educadora reler a história e perceber que estas duas realidades nem sempre se conversam. Eis aí a ação do inconsciente!

Percebeu a educadora, após releitura do fato, que é imprescindível, em primeiro lugar, conhecer o que a move e, a partir daí, identificar suas necessidades, passando a supri-las em si.

Finalizado o debate, o grupo concluiu que a psicoadaptação, hora ou outra, sinalizada nos ambientes do Sistema Tempo de Ser, poderia ser: conseguir ver a realidade.

O objetivo do Sistema Tempo de Ser é estimular o indivíduo à investigação desta realidade interna, subjetiva, no afã de compreender a realidade que chega, desvinculando-a de suas crenças.

O autoconhecimento proporciona a expansão da natureza humana, superando a força psicológica infantil, o que torna a vida dinâmica e patamar de expressão para que o indivíduo questione suas certezas, reflita, faça novas conexões e crie, a partir delas, novas perspectivas que possam efetivamente nos trazer os tão almejados Novos Horizontes da Sensibilidade.[4]

 

 

 

  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Realidade
  2. https://academiafreudiana.com.br/psicanalise-em-estudo/real-simbolico-e-imaginario/
  3. https://academiafreudiana.com.br/psicanalise-em-estudo/real-simbolico-e-imaginario/
  4. http://tempodeser.org.br/intelmed/epsim/5epsim/conteudo/transcricao5_epsim?s[]=proporcionando&s[]=os&s[]=novos&s[]=horizontes&s[]=da&s[]=sensibilidade
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