“Aqueles que não aprendem nada sobre os fatos desagradáveis de suas vidas, forçam a consciência cósmica que os reproduza tantas vezes quanto seja necessário, para aprender o que ensina o drama do que aconteceu. O que negas te submete. O que aceitas te transforma.”

Carl Gustav Jung

 

logo_pts_600x600Entender a razão de minhas dores foi um objetivo que me acompanhou desde a infância. Algumas situações ocorriam de maneira muito intensa, causando dor, sofrimento e gerando um sentimento de injustiça.

Desde então, buscava na religião a resposta. A crença de que Deus criava, governava e que nada acontecia sem a sua vontade não me supria.

Na adolescência, encontrei no espiritismo um conforto, pois me fazia sentido pensar que minhas experiências atuais eram resultado de ações realizadas anteriormente, mesmo que desconhecidas.

Já na idade adulta, dando sequência ao movimento espírita de que a ciência, a filosofia e a transcendência são fundamentais para o entendimento da vida, adentrei a um grupo que tinha como propósito o autoconhecimento, ainda sem saber o que significava e quais seriam seus efeitos.

Com o tempo o grupo foi se organizando e, através de estudos e pesquisas acerca dos fenômenos psíquicos e seu impacto no comportamento e nas relações humanas, foi constituído o Sistema Tempo de Ser – STS.

Os estudos e estímulos para a auto-observação proporcionaram a constatação de que o que nos acomete não provém de algo exterior a nós, mágico ou superior. O que nos ocorre é fruto de experiências vividas, captadas e arquivadas pelo nosso cérebro no período infantil, principalmente de 0 a 3 anos, informações que hoje a ciência vem comprovando através de estudos sobre o cérebro. As impressões captadas formam veios neurais, verdadeiros caminhos que quanto mais se repetem mais fortes ficam, constituindo assim nossos traumas.

O trauma é uma impressão neurológica e, segundo a psicologia, é a causa emocional dos problemas mentais. Seu papel é garantir a sobrevivência, tanto física quanto emocional. É ele que nos impulsiona, nos impele a continuar.

Participar do STS possibilitou-me entrar em contato com algumas informações e sentires referentes à minha formação, como a sensação de não ser vista pela figura materna (o que não significa que tenha ocorrido dessa forma, é meu sentir infantil). Para mim, as atenções nesse período eram voltadas à irmã mais velha, que era admirada pela mãe por ser estudiosa, obediente e educada. E eu, com uma personalidade a princípio mais extrovertida, fui adquirindo também aquelas características da “irmã referência” para me sentir vista e aceita pela figura materna.

Hoje essa dor me acompanha e, constantemente, meu cérebro reproduz essa vivência infantil, agora com novos personagens, novos cenários, mas que me remetem ao mesmo sentir.

A dor provocada pelo trauma é o grandioso sinal da reedição traumática, e tem o papel de oportunizar vê-la e senti-la novamente, possibilitando, assim, uma releitura da infância vivida, pois a dor que sinto pode ser incondicionalizada por mim no âmbito do sentir.

Através da auto-observação é possível constatar que o ser humano não se relaciona com outro ser humano, mas sim com suas projeções. Reeditamos os traumas em termos de fato quase que em sua integralidade.

É preciso aprender a estar comigo em qualquer reedição traumática, pois foi ela que me trouxe até aqui. É possível entender o trauma, no âmbito da sensibilidade psíquica e dirigir a força infantil.

Luciana Coimbra de Mello


Contos e Autoencontros

A não compreensão e entendimento do mundo interior levam-nos à busca de efetivar meios de auto-observação, para que fiquem visíveis atitudes e sentimentos que nos movimentam. Um dos meios para observarmos nossas movimentações é a descrição do nosso percurso como educador de essencialidades. O texto publicado anteriormente é uma autodescrição resultante de um projeto elaborado pelos Educadores de Essencialidades do Núcleo de Aprendizagem de Birigui do Sistema Tempo de Ser, dentro da atividade do grupo vespertino de Prática de Inteligência Mediúnica. O projeto tem como proposta a exposição ao meio social das repercussões dos estímulos de autoaprendizagem aos educadores de essencialidades nos ambientes do Sistema Tempo de Ser. Durante sua execução, tem sido considerado que o “autoencontro” pode ocorrer a partir da auto-observação e autodescrição dos “Contos” (história imaginada) que permeiam a existência humana.

Compartilhe!
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Pin on PinterestEmail this to someone