Chama-se de fluxo pensante aos “processamentos cerebrais”, o que é diferente da construção de uma ideia, advinda de uma argumentação que gera uma fundamentação.

A função da inteligência é presença, é argumentação, é elaboração, é construção de uma ideia ou de fatores que venham esclarecer determinadas argumentações, pontos ou finalidades de construções.

A função da sentinela é mantê-los vivos em quaisquer circunstâncias e está diretamente correlacionada com a sexualidade e não está diretamente ligada à mediunidade como um potencial de ver a si mesmo.

O fluxo pensante é todo influenciado pela sexualidade, ou seja, não precisa de uma participação direta da inteligência, é pensamento produzido pela sentinela e nada mais.

A sexualidade, como está ligada à natureza humana, está ali influenciando o fluxo pensante, só que aí entra a dificuldade de entender a diferença entre a coordenação da cogitação do processo, ou fluxo pensante, processamento, que são verdadeiros cargueiros de argumentos, que dão para nós a noção de que nós somos inteligentes, que estamos entendendo, que sabemos tudo e que é isto mesmo.

A inteligência cria uma base imaginativa, ilusória, depois ela utiliza caminhos intermediários para entender aquilo que constituiu. Então, não se inquietem no aspecto da perda, a perda do conhecimento, a perda da informação, as perdas que o orgulho não admite. Em um processo de autoaprendizagem eu preciso desaprender, e a única forma de desaprender é colocar em dúvida as minhas próprias crenças e não o que os outros disseram, mas aquilo em que eu creio, que eu estabeleci para mim, em determinado momento, como uma verdade absoluta. Verdade absoluta: crença.

Para ocupar-se com a gerência do pensamento é necessário admitir uma realidade: “sou uma obra inacabada”. E o que é acabar a construção? É possibilitar que ela sirva a seu propósito. Se eu quero saber, eu posso gerir meu pensamento. Mas chego a um ponto em que as questões não encontram mais respostas.

Isoladamente, superstição, feitiço e magia compõem o fluxo pensante, quotidianamente.

Embora pareça complexo, é raso. Quem se utiliza mais desse contexto é a sentinela, porém, a inteligência também se utiliza, servindo aspectos da sentinela através da sexualidade.

Sem métodos não há desenvolvimento de nenhum tipo educacional. A Educação de Essencialidades possibilita que a adaptação do indivíduo ao seu próprio ambiente psíquico o torne, no meio social comum, um agente construtor de uma realidade mais compatível com o fato de se ser inteligente e sensível.

Quando dizemos que o homem pensa que pensa, estamos chamando a atenção para um “programa encarnatório” que ocorre no desenvolvimento da consciência humana durante o período de zero a três anos. Ela é o seu programa, o seu regente, as leis que o movem.

A consciência é formada basicamente pela sexualidade, possibilitando um programa de sobrevivência compatível com a linhagem hereditária e o ambiente atual. É uma verdadeira contradição e guerra emocional que arrasta o homem à reprodução e nutrição a qualquer custo.

A cognição, como um fantástico ganho evolutivo, aprimorou e acelerou tecnologicamente a sobrevivência, colocando, hoje, em risco a própria utilidade humana.

O fluxo pensante é contínuo, porém desorganizado; o pensamento é basicamente alimentado e organizado pela contraditória e conveniente consciência humana, fundamentado na sobrevivência.

O homem é um mecanismo, o que há de inteligente nele tenta organizar o pensamento e este feito é um grandioso desafio psíquico, pois exige transpor a consciência humana e suas barreiras, entre elas a zona conceitual, a zona proibida sexual, o aprisionamento infantil, os padrões organizados do comportamento humano com seus ciclos e o sistema de autoimagem (SAI), que protegem a psique em sua inconsciência. E aí a importância do autoconhecimento, porque a psique se funde com o ser humano que a manifesta.

Então, começa como autoconhecimento, desenvolve-se como auto-observação, caminha como constatação e desenvolve-se como aprendizagem. Pelo autoconhecimento vamos criando canais de comunicação com a estrutura do inconsciente coletivo, com o objeto inconsciente coletivo, nas barreiras, camadas conceituais.

A inteligência mediúnica pretende influenciar o fluxo pensante, proporcionando alterações estruturais e adaptativas, evidentemente mais dinâmicas, proporcionadas pela inteligência e não pela evolução (pura e simples), embora evoluir não seja pura e simplesmente, não aguardando a evolução, mas dando um compasso nesse processo. O autoconhecimento vai desenvolver aqui, pela inteligência mediúnica, influenciando o fluxo pensante a proporcionar alterações estruturais nos canais de comunicação, e, na capacidade perspectiva, podermos começar a construir o mundo que queremos viver, a partir de nós mesmos.

A mediunidade entra, neste contexto, conectando autômato com inteligência e sensibilidade, em busca de autonomia para ser o que se é.

Auto-observação, conhecimento do autômato; autoeducação para adaptar-se a ele e, por fim, autonomia – como resultado.

(fonte http://tempodeser.org.br/comge/feee/conteudo/2016-05-01)

Eliane Demarchi

Organizadora do conteúdo

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